Entendo bulhufas de cinema brasileiro. Na verdade eu só vejo os filmes – e já ouvi falar alguma coisa aqui ali sobre Glauber Rocha, Cinema Novo, pornochanchada.
Minha experiência é basicamente os filmes do Didi e da Xuxa quando eu era criança. Alguns mais interessantes , ainda na infância, como A Guerra dos Bonecos e O Menino Maluquinho . E uma quantidade razoável de filmespós Carlota Joaquina.
Portanto eu posso estar falando merda. Não reparem.
Uma coisa que me irrita no cinema brasileiro são os filmes adaptados do teatro e essencialmente teatrais ainda. A Dona da História, por exemplo.
É um filme baseado em uma peça teatral( homônima). A história é interessante, inclusive para o cinema também.
Mas... A movimentação dos personagens e da câmera, o tipo de fala ( cheia de trocadilhos e brincadeiras com as palavras), a própria encenação e postura corporal... Tudo remete ao teatro! Eu não gosto disso. Cinema é cinema, ora bolas. Outros recursos, outros aspectos, outros meios, outras linguagens devem ser explorados para se contar uma história.
Vamos à sala de cinema para apreciar coisas diferentes do teatro.
Tenho a impressão de que isso persistirá no cinema brasileiro. Pois são os filmes mais comerciais que são assim. São roteiros mais simples, o que deve inclusive facilitar a produção do filme e a aceitação do público – sei lá também se é isso mesmo....
Deputada Juíza Denise Frossard, em um programa da Globonews, citando uma frase de alguém, disse que a contravenção vai estar sempre no poder, não importa quem esteja lá, porque assim funciona o sistema. Concordo com ela.
Eu já tinha ouvido falar que o filme As Brumas de Avalon era muito ruim mesmo. Na verdade é uma série produzida para a TV (não sei se é inglesa, mas deve ser).
E realmente é. Tanto pelo figurino, pelos cenários, pelo casting, pelo roteiro, pela direção. É tudo muito caricatural de tão ruim.
Figurino - Personagens que deveriam ser discretos, como a Senhora do Lago Viviane, estão muito espalhafatosos...
Cenários - A casa da minha avó é maior que a Camelot do filme. E o castelo que eu construí pro teatrinho da escola quando eu tinha 12 anos era beeeeem mais bem feito.
Casting - Morgana e Viviane são altas e não "pequenas como o povo das fadas" e não são muito morenas ( como eu imaginei que deveriam ser).
Roteiro - O pior! - O livro é escrito sob uma perspectiva não cristã... Relacionamentos incestuosos, relação entre pais e filhos, entre parentes são narradas e construídas sem "pudor cristão" nenhum. O filme deturpa isso completamente. Se Morgana no livro é irmã, amante e inimiga de Arthur, no filme ela é só irmã e o ama como um "irmãozinho" até o fim. Tem também umas cenas muito toscas, descontextualizadas demais, simplificadas demais a ponto de ficarem ridículas.
Direção - Não contribuiu em nada... Só conseguiu arrancar umas interpretações meia boca.
Sem mais comentários. É certo que de filmes adaptados de livros não devemos cobrar verossimilhança... Mas um pouco de coerência com a idéia principal, ou pelo menos, um pouco de qualidade, não é pedir demais.